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Mulheres com a bola toda


Escrito por Abril BrandedContent

Conheça o time de futebol feminino que desafia preconceitos e ajuda a transformar o Recife

Foto: Giselli Carvalho. Crédito: Pelada de mulheres incentiva a ocupação do espaço público para prática esportiva.

No Recife, capital pernambucana, futebol é coisa de quem quiser jogar. É o que deixa bem claro o Aurora Futebol Clube, iniciativa de um grupo de mulheres que decidiu ocupar, com o esporte bretão, uma quadra na Rua da Aurora, no Centro do Recife, todas as segundas-feiras à noite. O projeto #hellocidades, oferecido pela Motorola, convida você a fazer como as meninas: se reconectar com a cidade e aproveitar o que tem de melhor no Recife e em suas ruas.

Em janeiro de 2018, o grupo de peladeiras comemora aniversário de dois anos de muitos gols. A história começou em 2016, com um pequeno grupo formado por meninas conhecidas e desconhecidas que resolveu se juntar para jogar bola. “Inicialmente, a pelada iria acontecer na quadra de um prédio, mas tivemos problemas para nos reunirmos no condomínio de uma amiga, em razão da alegação de impedimentos de regimento condominial, e daí pensamos, no mesmo dia, em ver se a quadra pública da Aurora estava vaga. Éramos entre oito e nove mulheres”, conta a advogada e organizadora do Aurora FC Andrielly Gutierres, 24 anos, que está no grupo desde o início.

Desse dia em diante, o clube se reúne às segundas, das 18h30 às 21h30, na quadra pública, em um jogo aberto a todas que quiserem chegar. “A proposta da pelada é ser recreativa, receptiva e pública”, diz Andrielly. Para participar, não é necessário muito mais do que a vontade de bater bola e um celular em mãos: “Sempre avisamos pelo  Instagram se a pelada do dia está confirmada e trocamos informações em um grupo de Whatsapp que atualmente possui 82 participantes. Lá, fazemos uma chamada para termos noção de quantas meninas poderão ir no dia”, explica a jornalista Marina Afonso, 26 anos, uma das responsáveis pela divulgação na rede social de fotos.

“Parodiando os nomes dos blocos de carnaval daqui do Recife e de Olinda, nos descrevemos como ‘Grupo Futebolístico Recreativo Feminino’, o que nada mais é do que um grupo de meninas que se encontram semanalmente para ter um momento de descontração por meio do futebol amador”, diz Marina.

Vencendo preconceitos

Apesar do sucesso da iniciativa, nem tudo foi tranquilo na trajetória do grupo de mulheres que abraçou o futebol como esporte. Machismo e preconceitos de toda espécie são comuns quando o trinômio futebol, bola e mulher se forma. “O preconceito no dia a dia vem muito por meio de piadas, como se o humor fosse um invólucro perfeito para isso. Hoje é difícil, embora ainda possível, encontrar alguém que afirme categoricamente que ‘futebol não é para mulher’”, revela Andrielly.

Foto: Giselli Carvalho. Legenda: Para jogar no Aurora Futebol Clube, basta aparecer com vontade de jogar e fazer novas conexões.

A também jornalista e fundadora do Aurora FC Larissa Brainer trabalha atualmente na ONG love.fútbol, que constrói campos e quadras de futebol em parceria com comunidades. Para combater o preconceito enfrentado pelo futebol feminino e fortalecer o espaço das mulheres no esporte, ela atua de forma direcionada. “Dentro da organização, lidero uma campanha permanente de promoção do futebol feminino chamada #JogaPraElas. A nossa ação mais recente foi a realização de uma roda de conversa sobre representatividade da mulher no futebol, parte de uma agenda de ciclos de debates que chamamos love.fútbol Talks”, explica Larissa.

“O futebol feminino é repleto de grandes talentos potenciais, mas sofre por falta de investimento dos clubes. Se no profissional é assim, no amador, então, nem se fala. O machismo e o preconceito são muito vivos”, diz Marina Afonso. Ela diz — e outras jogadoras são testemunhas — que o grupo já foi vítima de ofensas de homens que passavam pela Rua Aurora durante as partidas e que isso espalhou insegurança pelo grupo. Mas elas não retrocederam. “Lutamos para conquistar aquele espaço que é público e também é das mulheres e tentamos incentivar outras meninas a fazerem o mesmo”, reforça Marina Afonso.

Para Andrielly Gutierres, praticar o esporte pelo qual se interessou ainda criança é, além de uma ótima prática física e de integração, uma maneira de resistir aos preconceitos. “Acho que a valorização do futebol feminino passa por ações como essa do Aurora Futebol Clube de tentar tornar comum a prática do esporte por mulheres, sem o exotismo tão naturalizado”, diz.

Que tal aparecer para bater bola com as meninas do Aurora FC, conectar-se com outras pessoas com interesses comuns na cidade e ainda participar desse movimento de esporte e resistência? Pegue o seu celular, acesse o Instagram do grupo e fique por dentro das peladas. E registre sua experiência com a hashtag #hellocidades. Ocupe as ruas do Recife e reconecte-se com a cidade através do hellomoto.com.br.

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