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São Paulo dos imigrantes: comunidades internacionais movimentam a cidade


Escrito por Abril BrandedContent

Para além da Liberdade e da Mooca, a cidade abriga redutos plurais com comunidades ativas que atraem paulistanos de todos os cantos

Foto: Fo Guang Shan/Divulgação. Legenda: Centro de Meditação Fo Guang Shan é um reduto para quem quiser se aproximar da cultura taiwanesa em São Paulo.

Não são apenas os centros financeiros, o imenso PIB e a população de expressão nacional que fazem de São Paulo uma das cidades mais globais do mundo: a maior metrópole da América do Sul também traz, em seu DNA, a capacidade de abrigar comunidades internacionais que encontram, na terra da garoa, novos caminhos para muito além dos italianos da Mooca. Seja na busca de um novo começo, pela vontade de prosperar ou pelas mazelas da guerra, todos eles encontram na capital financeira do país um novo lar. Junto com o #hellocidades, projeto de Motorola que incentiva novas conexões entre a cidade e seus moradores, fomos conhecer essas histórias.

Uma dessas comunidades é a taiwanesa. Ela foi o foco do trabalho de conclusão de curso do jornalista Lucas Massao. “Na época, eu fazia meu terceiro ano do curso de chinês e, então, assuntos relacionados à cultura chinesa estavam bem frescos na minha cabeça. Como eu quis dar um aspecto diferente ao trabalho, buscando fugir dos clichês, escolhi Taiwan por ser um tema relativamente desconhecido do público brasileiro”, explica.

Durante seus estudos, Massao aprendeu muito sobre a instalação de taiwaneses no Brasil. “Essa imigração não ocupa um espaço tão proeminente quanto outras comunidades asiáticas, como a japonesa ou a chinesa. Para sentir um pouco de como esse grupo vive, vale a pena visitar alguns restaurantes, como o Sweet Heart [Rua dos Aflitos, 26] e o Petiscos do Tigrão [Rua Thomas Gonzaga, 107]”, indica Massao. Todos os estabelecimentos ficam na Liberdade, na região central de São Paulo. No mesmo bairro, o jornalista também sugere visita ao Centro de Meditação Fo Guang Shan (Rua São Joaquim, 460).

Tempero armênio

Outro grupo de imigrantes bem consolidado em São Paulo é o dos armênios – e prova viva disso é a relações públicas Natália Hazarian. Criada dentro dessa cultura, a paulistana frequentou colégios armênios, clubes e igrejas armênias – tudo sem sair de São Paulo. “Meu avô chegou a ser presidente de uma organização sem fins lucrativos com propósito em promover a herança armênia aqui no Brasil. A organização se chama UGAB (União Geral Armênia de Beneficência) [Rua Vupabussu, 196, Pinheiros]. E minha história, na verdade, começou com esses eventos culturais: meus pais se conheceram em um evento latinoamericano de jogos armênios (que acontece anualmente até hoje), que junta comunidades do Brasil, Argentina, Uruguai, entre outros”, conta.

O grande motivo da vinda dessa população para o Brasil, porém, provém de um passado triste. Esses imigrantes saíram de seu país de origem principalmente no começo do século passado, perto da Primeira Guerra Mundial, quando houve um genocídio armênio promovido pelo Império Otomano. Cerca de 1,5 milhão de de pessoas do país foram mortas, e boa parte dos que restaram foram para outros países, incluindo o Brasil.

“Hoje, há entre 40 e 70 mil armênios no estado de São Paulo, e, aqui na capital, o Bom Retiro é um dos principais bairros onde podemos encontrar traços dessa cultura, com restaurantes, donos de comércio, igrejas etc.”, diz Natália. Para quem se interessar em conhecer mais os hábitos e costumes desse povo, Natália indica a Igreja Apostólica Armênia do Brasil (Avenida Santos Dumont, 55, Luz) e a Igreja Apostólica Eterna Aliança (Rua Eduardo Chaves, 25, Luz). Para comer, as dicas são o Yeran (Rua Maria Curupaiti, 355, Santana) e o Arais do Carlinhos (Rua Correia de Melo, 103, Bom Retiro).

Nações Unidas do Bom Retiro

No século XIX, a região onde hoje fica o Bom Retiro, em São Paulo, era usada como pouso de fim de semana para os mais ricos — daí veio o nome. Mas, ao longo do tempo, o bairro também recebeu um fluxo migratório intenso de pessoas de diversas nacionalidades. Além dos armênios, há uma presença forte de descendentes de sírios-libaneses e de judeus de diversas nacionalidades. É nesse bairro que fica a Kehilat Israel (Rua da Graça, 160), a sinagoga mais antiga do estado, fundada em 1912.

Além disso, o Bom Retiro abriga diversas padarias sul-coreanas. Em algumas, os destaques do cardápio estão em coreano, com a tradução em português em segundo plano. Desde julho de 2016, o bairro também hospeda o Centro Cultural Hallyu (Rua Guarani, 149), que ajuda a promover a cultura coreana no Brasil. A estudante Letícia Neves comemora. “O [gênero musical de origem coreana] k-pop está bombando no Brasil e no mundo, e a gente que é fã não tinha muito onde buscar referências e aprender o idioma”, diz.

É muito comum encontrar grupos de adolescentes e jovens adultos de diversas partes da cidade que se reúnem no Bom Retiro em função do amor pela cultura. Letícia, por exemplo, mora no Belenzinho, na Zona Leste da cidade, e enfrenta de bom grado a linha vermelha do metrô para se sentir mais próxima de seus ídolos coreanos.

Ela conta que, por causa da música, também aprendeu a apreciar a culinária que vem do outro lado do mundo. “Tem um salgado coreano que parece acarajé! Vem de tão longe e é igual a uma coisa que a gente tem aqui”, diz a estudante, que indica o Café Turismo Together (Rua Prates, 577), estabelecimento que funciona como cafeteria e agência de viagens.

Aliás, quando o assunto é comida, o Bom Retiro é praticamente um congresso gastronômico das Nações Unidas. É lá que fica o Acrópoles (Rua da Graça, 364), um dos restaurantes gregos mais tradicionais da cidade. As ruas do bairro também têm lugares onde se pode comer o legítimo pho, a sopa vietnamita que se parece com o lamen (a especialidade japonesa que já é sucesso em São Paulo). O mais badalado é o Pho.366 (Rua Silva Pinto, 366).

Tem mais sugestões de comunidades internacionais que se estabeleceram em São Paulo e de como conhecer ainda mais essas culturas que formam a cidade? Compartilhe usando #hellocidades e conecte-se à plataforma da Motorola que incentiva a reconexão pessoal nas cidades por meio da tecnologia. Para saber mais, acesse o hub hellomoto.com.br.

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