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A conquista do rap em Belo Horizonte


Escrito por Motorola

Conheça a rapper mineira Tamara Franklin e a cena efervescente de hip hop da capital

A Savassi, bairro tipicamente boêmio de Belo Horizonte, guarda algumas histórias em suas ruas. Foi lá que alguns meninos imitaram passos do filme FlashDance, no início da década de 1980, na Praça Diogo de Vasconcelos, a conhecida Praça da Savassi. Como naquela época não se tinha acesso à internet, eles mal sabiam que aquilo era muito mais do que um estilo de dança: era uma cultura que estava aos poucos se espalhando pelo mundo, conhecida como hip hop.

Cena em que dançarinos do grupo Rock Steady Crew aparecem no filme Flashdance.

As histórias na Praça Diogo de Vasconcelos foram reflexo de um movimento que nasceu na periferia dos Estados Unidos, mais especificamente nas ruas do Bronx, em Nova York, e tomou conta do mundo. Com BH não seria diferente. Pouco mais de 30 anos depois, muita coisa aconteceu: as músicas foram tomando batidas diferentes, dinheiro foi investido, talentos foram aparecendo e o rap foi crescendo à medida em que a cidade avançava. E, no mundo, esse ritmo que veio do gueto se transformou dominante no mercado fonográfico norte-americano.

Incorporando em suas rimas batidas africanas de samba, baião de dois, reggae e até carimbó, Tamara Franklin, de 27 anos, é um dos grandes nomes femininos do rap mineiro. Essa mistura de ritmos é algo que atualmente rappers como Rincon Sapiência e Criolo também têm usado para acrescentar mais da cultura brasileira em seus trabalhos. Nascida e criada na cidade metropolitana de Ribeirão das Neves, Tamara lançou seu primeiro álbum, Anônima, em 2016. “O meu interesse pela música surgiu ainda na infância e eu não consigo lembrar da minha vida sem a total influência e presença do rap”, conta a artista.

Tamara Franklin // Foto: Lais KunzendorFF

Atualmente, ela está gravando um novo álbum, intitulado Você Fugio, cujas referências vêm do congado, manifestação cultural religiosa africana na qual instrumentos como cuíca, caixa e pandeiro são usados. O CD deve ser lançado em 2019 e neste ano está previsto ainda o lançamento de algumas músicas inéditas que fazem parte do projeto “De corpo, alma e flow”.

 

As metrópoles são fonte de inspiração para diversos rappers na hora de fazer suas rimas — e Tamara se influencia muito pela cidade onde ela nasceu na hora de compor. “Gosto muito dessas histórias de pessoas que pegam ônibus, passam aperto e tiram daqui e dali pra pagar as contas. Esse vai e vem do cotidiano no fluxo da cidade me fascina. Eu nasci e cresci em Ribeirão das Neves, que é uma cidade periférica de BH. Então o morador de Neves acorda muito cedo, vai pra BH, trabalha, volta muito tarde pra casa para dormir e assim sucessivamente, até o final da vida”, narra.

Além do rap, a cultura do hip hop é composta por outros três elementos: a dança, o grafite e o DJ. Não raro, pessoas que estão inseridas dentro da cultura hip hop acabam praticando mais de uma vertente, como aconteceu com a rapper. “Eu dancei por muito tempo, inclusive trabalhei dando aula de wacking, estilo onde se usa principalmente os braços e hip hop dance. Eu acho que uma coisa ia sempre puxando a outra, sabe? Porque é tudo muito interligado”. O grafite em BH também tem crescido, muito por conta de movimentos artísticos como o Minas de Minas, que ajudam a espalhar essa arte pelos muros da cidade.

Minas de Minas na criação do painel que homenageia Elza Soares, em BH// Foto: Silvi Palma

Tecnologia no rap

Elementos analógicos como o disco de vinil e a caixa boom box continuam fazendo parte do rap, porém atualmente há uma mistura desses materiais com o digital, como por exemplo o smartphone.“Várias vezes eu gravei a minha voz pelo smartphone e mandei pro pessoal tirar o tom de lá, porque a gente não ia ter condições de se encontrar pra ensaiar. Já usei o meu aparelho para treinar e até fechei parcerias em outros estados através dessa ferramenta, fora que ele permite uma comunicação muito mais próxima com o meu público”, revela a rapper.

A forma como se divulga o material produzido também sofreu algumas mudanças. Se antes os artistas dependiam de grandes gravadoras e da rádio para lançar suas músicas, hoje novas mídias sociais oferecem ao público a oportunidade de conhecer ritmos de diversos locais do país. Rappers mineiros como Djonga, Clara Lima, Kainná Tawa e os grupos DV Tribo e Família de Rua ultrapassaram barreiras geográficas e sociais e caíram no gosto do público brasileiro.

Onde ir

Tem muita coisa acontecendo em Belo Horizonte quando o assunto é hip hop. Um exemplo perfeito da força desse movimento cultural na capital é o Duelo de Mcs, que é nada mais do que a maior batalha de rimas do país. Desde 2007, embaixo do viaduto Santa Tereza, várias pessoas se reúnem todos os meses para disputar quem faz a melhor rima. Além disso, festas como a Classics, Deputamadre e o evento da Jam Session BH trazem o melhor do hip hop para todas as idades e tipos de público que queiram curtir um pouco mais desse estilo em BH.

Então não deixe de aproveitar o lado rapper da capital mineira e usar nas suas redes sociais as tags #HelloCidades e #HelloBH para saber tudo que o está acontecendo à sua volta.

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