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Coisa de menino? Que nada! As minas dominam o mundo dos jogos


Escrito por Motorola

O #Hellocidades conversou com algumas mulheres de Recife envolvidas com games e tecnologia

O mundo dos games, e da tecnologia no geral, sempre foi considerado “coisa de menino”. Desde criança, os garotos ganham videogames, carros, naves espaciais e coisas do gênero, enquanto as meninas ganham bonecas e maquiagens.

Mas essa situação vem mudando. Cada vez mais as mulheres ocupam espaço no universo da tecnologia e em Recife isso não é diferente: elas não são apenas jogadoras, mas também desenvolvem seus próprios jogos.

Coisa de menina x coisa de menino

Ser aceita no mundo gamer é uma batalha que começa cedo para as mulheres, como relata a UX/UI Designer Thalita Oliveira: “Lembro que sempre fiquei mais reservada na adolescência, pois tanto as meninas achavam estranho eu gostar de coisas que não eram ‘de menina’, quanto os meninos sentiam que tinham seu espaço invadido por uma mulher gostar de jogos”.

Clara Vasconcelos, que lida com jogos enquanto linguagem em seu trabalho de qualificação de economias criativas, também se lembra de situações na infância: “Quando pedia jogos, meus pais tentavam me convencer a mudar de ideia. E olha que não sou de uma família muito conservadora, mas certos comportamentos estão muito arraigados”.

Não à toa, nos cursos de tecnologia e informática o número de mulheres ainda é baixo, como conta a doutoranda em criatividade, ensino de programação e games, Tatyane Calixto: “Quando entrei na graduação, na turma só tinham 4 mulheres contando comigo. Sempre foi um ambiente muito masculino. O que me incomodava, e ainda incomoda, é que muitas vezes temos que nos ‘masculinizar’ para sermos ouvidas”.

Joystick nas mãos, elas no controle!

Para mudar essa situação, em Recife as mulheres amantes de games e tecnologia têm organizado eventos que incentivam a inserção do público feminino nessas áreas. Um dos exemplos é o Portomídia Game Jam das Minas, realizado no Porto Digital.  Catarina Macena, um das organizadoras do evento, conta como a ideia surgiu: “percebi a ausência das mulheres nas Game Jams e a necessidade de criar um evento onde elas pudessem ficar à vontade para mostrar seu potencial, daí surgiu a Jam das Minas”.

(Portomídia Game Jam das Minas realizado em Recife. Foto: Facebook/Catarina Macena)
(Portomídia Game Jam das Minas realizado em Recife. Foto: Facebook/Catarina Macena)

Em sua primeira edição, que ocorreu em março deste ano, o evento reuniu
cerca de 40 mulheres para trocarem experiência e desenvolverem novos jogos: “Um jogo especialmente trazia uma personagem feminina halterofilista, que caminhava por uma rua de Recife recolhendo itens pesados enquanto um rapaz ficava dizendo que ela não iria conseguir”, conta Clara Vasconcelos, que também participou da iniciativa.

Thalita Oliveira completa contando como foi a experiência: “Foi um evento incrível e acolhedor com mais da metade do público sendo mulheres. Fiquei como staff e o nível dos jogos produzidos foi incrível, todas as equipes estavam trabalhando muito bem”.

Mas as iniciativas não param por aí. Tatyane Calixto conta que existem outros eventos voltados para mulheres que se interessam por tecnologia, como o Pyladies Recife, encontro que terá sua quinta edição em dezembro, reunindo mulheres da área de computação para incentivá-las a serem líderes das comunidades de Python, linguagem de programação de código aberto.

(Divulgação: V Encontro Pyladies Recife. Foto: Facebook/PyLadies – Recife)

Outro exemplo é o Django Girls Recife, iniciativa que busca trazer para o mundo da programação mulheres que nunca trabalharam nessa área antes e que recentemente realizou uma pesquisa sobre mulheres de T.I. Os dados revelaram que, das 132 mulheres que responderam o questionário, 57.8% já sentiram diferença no tratamento por serem mulheres e 42,2% já sofreram assédio.

(Pesquisa realizada pelo Django Girls sobre “Como é ser mulher de T.I em Recife” Foto: Facebook/Django Girls)

Meu jogo, minhas regras!

Outro fator que afasta as mulheres do mundo dos games é a forma como os personagens femininos são retratados nos jogos. “Qualquer jogo que represente as mulheres através de estereótipos que nos objetificam deve ser problematizado, tanto pelo público quanto pelos profissionais da área”, explica Catarina Macena. E completa: “Há quem argumente que os jogos só existem porque há uma demanda do mercado. É óbvio que há, mas quem desenvolve games não pode se isentar de ter uma postura crítica em relação ao que está produzindo”.

Mas quando elas estão no controle as coisas são diferentes. Interessada em tecnologia desde criança, Tatyane Calixto aproveita seus conhecimentos na área para desenvolver jogos que tenham um cunho social: “Lançamos a versão Beta, no Play Store, do Adoletras, um game para auxiliar a alfabetização de crianças de 6 e 7 anos”. No game, a criança precisa ler palavras simples e utilizar o smartphone para fotografar cards, que utilizam a realidade aumentada para fazer ilustrações ganharem vida.

(Tatyane Calixto apresenta o game AdoLetras. Foto: Facebook/Tatyane Calixto)

Também direcionado para o público infantil, o game Mini Tale Chapeuzinho Vermelho contou com a colaboração de Thalita Oliveira e já possui meio milhão de downloads no Google Play Store. O jogo convida os usuários a recontarem a fábula da Chapeuzinho Vermelho de forma interativa, podendo mudar a ordem dos eventos e mesmo quem é o personagem principal da história.

(Game Mini Tale Chapeuzinho Vermelho contou com a colaboração de Thalita Oliveira. Foto: Google Play Store)

Quer ler mais matérias como essa? Então visite a aba #HelloCidades do Hub Hello Moto para ver mais conteúdo desse projeto da Motorola que incentiva a reconexão das pessoas através das cidades!

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