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Laboratório do Rolê leva dança a lugares inesperados de Porto Alegre


Escrito por Motorola

Conheça o grupo que pratica Contato Improvisação e visa experienciar a cidade de uma forma não convencional

Entrar em contato com a arquitetura e história da cidade pela experiência da dança. Essa é a proposta do Laboratório do Rolê, projeto de Porto Alegre que teve sua primeira edição na Fundação Iberê Camargo durante o Carnaval deste ano. “O Rolê surgiu de um grupo de pessoas de dentro do Contato Improvisação que tinha essa necessidade de dançar em espaços que não são espaços convencionais de dança”, diz Krishna Daudt, uma das organizadoras do projeto.

Para entender o Laboratório do Rolê é preciso primeiro conhecer o Contato Improvisação, que é um diálogo corporal de duas ou mais pessoas por meio do vocabulário sensorial composto de toque, peso e pressão. A técnica nasceu na década de 1970 com Steve Praxton, nos Estados Unidos, e é praticada no mundo inteiro.

Janaina Ferrari, outra organizadora do Rolê, atenta para o fato de o Contato não ser como uma dança comum. “A prática não tem essa rigorosidade de uma escola e formação, é uma prática que está sempre se transformando”, diz.

Mesmo dentro do Contato Improvisação existem diferentes abordagens de prática. Nesse aspecto, Porto Alegre se aproxima muito da Argentina e Uruguai. “Temos uma estética parecida pela proximidade geográfica, uma forma de dançar que se aproxima mais. Me sinto mais próxima de uma linguagem corporal do pessoal do Cone Sul (região que abrange o sul do Brasil, Argentina e Uruguai) do que do Rio de Janeiro ou da Europa. São diferentes abordagens de dança, diferentes formas de praticar”, diz Krishna.

O Contato Improvisação é normalmente praticado em silêncio, mas o Rolê conta com músicas compostas especialmente para o momento. Ernesto, filho de Krishna, conhecido como DJ Hetser Offscreen, é o responsável pela relação inversa entre música e dança. “Normalmente os dançarinos que seguem a música, no Rolê eu crio em cima dos movimentos deles”, diz.  

O Hello Moto acompanhou uma jam do Laboratório do Rolê, e aproveitou a ocasião para conversar com alguns integrantes sobre o projeto, o Contato Improvisação, e o intercâmbio entre porto alegrenses, argentinos e uruguaios. Confira tudo no vídeo:

O Laboratório do Rolê se prepara para ocupar outros espaços em Porto Alegre. Dentre os projetos está uma jam dentro da Biblioteca Pública da capital gaúcha. A ideia do grupo é trazer o público para um estado de presença total quando se está na cidade, algo que os praticantes do Contato já fazem automaticamente.

“Estar na cidade é outra experiência quando tu tem a dança colada com a tua vida. Estar na cidade é outra coisa porque tu se relaciona de outra maneira. E o Laboratório do Rolê é isso. É um convite para que as pessoas se autorizem, se apropriem e dancem com a gente”, diz Roberta Fofonka, idealizadora do projeto.

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