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Por dentro da Moto: P&D


Escrito por Motorola

Em mais uma edição da nossa séria Por Dentro da Moto, você confere uma entevista com José Soares, o líder de Pesquisa e Desenvolvimento da Motorola.

Tudo o que a gente consome – desde os ingredientes de uma receita até os gadgets – só chega até as prateleiras depois de muita pesquisa, que geralmente envolve um grande time de profissionais. Na Moto não é diferente: cada produto da marca exige meses, às vezes anos, de pesquisa até ser lançado. E é isso o que faz a área de P&D (Pesquisa & Desenvolvimento). Liderado no Brasil por José Soares, o time de P&D é responsável pelo desenvolvimento do hardware dos aparelhos (a parte física), pelo software e ainda pelos testes de cada componente do produto.

Simplificando, são esses profissionais que criam os projetos de cada aparelho e os tornam realidade. Para saber mais sobre a rotina da área, conversamos não só com José, mas também com Ana Luisa Florencio e Leo Mendonça, que já fazem parte da equipe há alguns anos. Durante a conversa, Leo nos alertou: “Entre o P (de Pesquisa) e o D (de Desenvolvimento) tem uma distância enorme. O processo de pesquisa é mais lento, e o desenvolvimento é muito mais rápido.” A entrevista completa com José Soares você confere a seguir.

Há quanto tempo você trabalha na Moto? Como foi sua trajetória até aqui?

Eu trabalho na Moto desde 1998. Sempre gostei de tecnologia, em especial a tecnologia aplicada na criação de novos produtos. Logo que me formei em Engenharia Eletrônica, comecei minha carreira desenvolvendo tecnologias que não existiam no Brasil naquela época. Trabalhei em outras empresas, sempre na área de Pesquisa e Desenvolvimento, e vim para a Moto quando o mercado de telecomunicações móveis estava explodindo no País. Achei que era uma grande oportunidade trabalhar numa área tão efervescente, especialmente na empresa que inventou o celular. Fiquei por mais de um ano nos laboratórios da Moto nos Estados Unidos e retornei ao Brasil para coordenar um novo grupo de desenvolvimento de software. Passei por áreas diferentes de P&D até assumir a liderança do grupo que hoje é responsável pelos produtos para toda a América Latina, Canadá, além de desenvolvimentos globais para a Europa e os Estados Unidos.

Em 2016 vocês completam 20 anos de P&D no Brasil. Como foi a evolução da área desde os anos 1990 até agora?

A evolução do nosso grupo de P&D passa também pela evolução da própria tecnologia. A área começou no Brasil associada com a decisão da Moto de fabricar celulares no País e, juntamente com essa fabricação, trouxe o primeiro grupo de P&D ao Brasil. Os primeiros anos foram de estruturação – nós enviamos muitas pessoas para serem treinadas na matriz da Moto, que na época ficava em Libertyville, Illinois, perto de Chicago. Lembrando que, nessa época, o celular era basicamente uma caixinha que falava; nem se usava muito pra mandar mensagens. O importante era a comunicação de voz, que já tinha desafios suficientes para manter as chamadas enquanto a gente se movimentava.

Com a evolução da tecnologia e o amadurecimento do time do Brasil, fomos navegando para aplicações mais avançadas. Hoje, o celular é um computador poderoso, e a gente espera cada vez mais dele. As velocidades de transmissão de dados cresceram brutalmente, e a complexidade também. Por exemplo, atualmente uma das principais funcionalidades do aparelho é a câmera, então criamos aqui um time de especialistas em câmera e imagem. Também temos projetos conjuntos com institutos de pesquisa e universidades externos. Alguns destes parceiros estão conosco há mais de 15 anos. Investimos bastante em capacitar os profissionais. Os novos dispositivos da Moto precisam ser criados em um tempo muito curto, então envolvem o trabalho de muitas pessoas simultaneamente.

José Soares (foto: Flávio Teperman).

Quais são as principais funções da área de P&D?

A área é dividida em várias especialidades: de hardware, que é o projeto físico do telefone, que define os componentes e trabalha com os fornecedores para desenvolver novas tecnologias; temos também um time de software e times de teste, que validam cada componente do aparelho e o sistema como um todo. Todas essas áreas formam a P&D. O Brasil, hoje, tem grande protagonismo, principalmente na área de software, de integração dos produtos, e na área de câmeras. Um dos grandes segredos da P&D é fazer um projeto de integração dos componentes. Nós não fabricamos internamente nem o chip, nem o parafuso. Nós fazemos o projeto, trabalhamos com os fornecedores e conseguimos criar experiências únicas.

Como a P&D daqui se relaciona com a P&D de outras partes do mundo?

De maneira complementar. Nós fazemos parte do time global de P&D da Moto. Como já mencionamos, para desenvolver um produto o tempo é curto e é preciso muita gente. A evolução da tecnologia e a demanda dos usuários fazem com que o mercado tenha lançamentos cada vez mais frequentes. Então, juntamente com outros times de P&D da Moto, trabalhamos simultaneamente nos mesmos produtos. Uma parte é feita aqui, outra parte é feita nos EUA, outra na China, outra na Índia.

Sabemos que o dual-chip inteligente é um recurso que faz muito sucesso por aqui. Quais outros são desenvolvidos aqui e exclusivos do Brasil?

O recurso de DTV (TV digital) é único do Brasil, e é uma necessidade do mercado local. O prefixo fácil no dual-chip inteligente também é um recurso só do Brasil.

Por quais tipos de profissional é formado o time de P&D? Quantos são atualmente?

Nós temos engenheiros elétricos, mecânicos, de telecomunicações, engenheiros e analistas de software. Nosso grupo tem também físicos, matemáticos e pesquisadores. Para conseguir a melhor experiência e resolver problemas complexos que abrangem várias áreas precisamos de um time bem diversificado. Internamente, são cerca de 100 funcionários, e nos institutos e universidades temos mais de 500 pessoas trabalhando em projetos conosco.

Quais são esses institutos?

O CESAR, o CIN-UFPE, o Instituto Eldorado, na UNICAMP, o Instituto Venturus são os principais parceiros. Além deles, temos bolsistas e professores de universidades que também trabalham com a gente em alguns projetos selecionados.

Teste de câmera do smartphone (foto: Flávio Teperman).

Qual vocês consideram o maior desafio da área?

Hoje, nosso maior desafio é trazer uma inovação de verdade para o mercado, mais do que simplesmente reduzir o tamanho da tela ou melhorar o desempenho, por exemplo. Algo que proporcione novas experiências e possibilidades que as pessoas nem sonhavam que um celular pudesse oferecer.

Vocês levam em conta os comentários feitos pelos usuários nas redes sociais na hora de desenvolver novos produtos?

Sim, levamos em conta todo o feedback das redes sociais para aperfeiçoar nossos produtos. O modo profissional da câmera do novo Moto G, por exemplo, era um recurso muito pedido nos comentários. Algumas dessas interações consideramos na atualização dos aplicativos, e outras quando da concepção de um novo produto, por exemplo.

Como a Motorola conseguiu configurar uma excelente câmera de 21 MP de alta qualidade?

O time do Brasil está trabalhando com câmeras há um ano e meio, justamente para atender a essa demanda dos consumidores por uma câmera de alta qualidade. Nosso grupo aqui foi criado para trabalhar com a qualidade de imagem. O que vocês estão vendo hoje nos produtos é uma consequência de um trabalho de muitos meses. Existe um esforço global para fazer isso acontecer, e a Moto está no grupo das empresas que hoje oferecem excelência em tecnologia de câmeras. Está sendo muito bom ver esse reconhecimento por parte dos consumidores.

Como vocês conseguem oferecer um Android puro?

Tomamos uma decisão muito consciente de privilegiar o usuário, e só incluir no Android puro as funcionalidades que realmente trazem algo de importante para a experiência do consumidor. Considerando o ótimo trabalho que a Google já faz para manter a base do Android puro, nós selecionamos muito bem o que vamos adicionar. Inclusive paramos de acrescentar alguns dos recursos que incluíamos no passado, a partir do momento em que eles foram incorporados pelo Android.

Teste de câmera do smartphone (foto: Flávio Teperman).

Nesta entrevista, tivemos a oportunidade de conversar também com Ana Luísa Florêncio, que é gerente de desenvolvimento de software. No time de P&D da Moto desde 1999, ela faz parte da equipe de software há quase dois anos, e já passou por diferentes áreas dentro da empresa: “Quando entrei aqui, trabalhava no grupo de qualidade de software. Depois disso, passei por vários times, como o de aplicações de mensagens, o de produto e pelo grupo de processos. Quando montamos a equipe de software, em 2014, éramos apenas três pessoas, hoje somos mais de 350. Eu amo trabalhar aqui, e o que mais me motiva atualmente é ver quanta coisa já fizemos em tão pouco tempo”, ela conta.

Leo Mendonça, gerente de engenharia de sistemas de câmera, também tem muito tempo de Moto no currículo: “Eu cheguei à Moto em 2008, e inicialmente trabalhei na área de rádio. No final de 2014, surgiu a necessidade de criar um time de câmeras aqui no Brasil. Começamos no início de 2015 a trabalhar com engenharia do sistema de câmera. O trabalho é desafiador!”, ele finaliza. E quem duvida?

Ana Luisa Florencio e Leo Mendonça (foto: Flávio Teperman).

Os lançamentos da Moto anunciados na Lenovo Tech World são mais um resultado do trabalho do time de P&D. Durante longos meses, a equipe se dedicou a desenvolver a família Moto Z e os Moto Snaps, que prometem revolucionar o mercado de smartphones nos próximos meses. \o/

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