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Terça do Vinil e a música brasileira ‘imperecível’ e universal


Escrito por Motorola

Conheça a festa que há dez anos celebra a música nacional em Recife

“Democratizar o acesso à cultura, à música brasileira de forma geral, fomentar este cenário, fortalecer artistas e contribuir para a cena musical brasileira”. Assim Juniani Marzani, conhecido como DJ 440, define a Terça do Vinil, festa que criou há mais de dez anos em Recife, e que hoje faz parte do calendário cultural e turístico de Pernambuco.

DJ440 na Terça do Vinil

A Terça do Vinil surgiu quase que sem querer. O DJ conta que há dez anos foi demitido de um trabalho formal numa segunda-feira e, no dia seguinte, decidiu comemorar com os amigos em um bar. Por conhecer o administrador do local, ele levou um toca-discos, alguns LPs, e ali ficou com os amigos, conversando e ouvindo música. “Algumas pessoas que passaram curtiram a música e em instante encheu de gente”, completa.

Desde então, o DJ 440 vem realizando o projeto ininterruptamente. Apesar de ter se tornado disk jockey ao acaso, ele conta que a caminhada até aqui pediu e ainda pede muito estudo. “Ser DJ não é só escolher alguma coisa para tocar, botar um som. Isso qualquer pessoa com internet em mãos pode fazer hoje em dia. Ser DJ é entender que existe um lado técnico e um lado poético na profissão”.

Atualmente a Terça do Vinil acontece na Galeria Joana D’Arc, mas o projeto já passou por diversos espaços públicos ao longo dos anos, especialmente no centro de Recife. “Cada lugar traz uma experiência diferente. Agora na zona sul está sendo uma oportunidade nova de conhecer um projeto que antes acontecia mais no centro. Estamos difundindo a música como sempre foi o objetivo do projeto”.

O público que frequentou ou frequenta a festa ao longo dos anos é um retrato do projeto. “A Terça do Vinil mistura os tempos, e isso também faz com que misture os públicos, não tendo muito isso de ser velho ou novo para gostar do que vai se ouvir no repertório”.

O cuidado do DJ com a curadoria do repertório é essencial para a festa. “A música em si é agregadora, e acredito que o sucesso e o grande diferencial do projeto está em toda a pesquisa que é feita, que apresenta o Brasil que o Brasil ‘desconhece'”, diz.

A paixão pela música nacional faz com que essa curadoria ultrapasse a escolha de repertório, e aproxime o DJ do público. “A música nasce em um tempo específico mas é atemporal, e carrega em si uma espécie de magia que rompe essa fronteira de tempo. Imagino que o público sinta essa pequena mágica, que se une a esse carinho que eu tenho nas pesquisas que faço”.

Além disso, todo esse trabalho de pesquisa faz com que o próprio DJ descubra coisas sobre a música brasileira, transformando seu trabalho não apenas em uma festa, mas um resgate e registro da história nacional através das canções. “O Brasil tem uma riqueza cultural imensa, e isso naturalmente reflete na nossa música, que tem muita coisa dançante e suingada. Gosto dessas possibilidades dos sons nacionais e por isso o meu trabalho, que intitulo de “arqueologia” musical, tem como base a música brasileira. Acredito que a música brasileira pode ser “imperecível” e universal”.

Para saber a programação da Terça do Vinil clique aqui.

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