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A febre dos zines


Escrito por Motorola

Entrevista com o Clube Lambada sobre os zines na atualidade.

Em 2010, Nicholas Negroponte, fundador do projeto One Laptop per Child, apostava que até o ano de 2015 a produção de livros impressos pararia em todo o mundo. Em contraponto, em 2014 o escritor norte-americano Adam Sternbergh previa pelo menos mais 500 anos de vida para a literatura em papel.

O fato é que o fim desse formato como o padrão para a leitura nunca foi um consenso entre especialistas da área. Você mesmo já deve ter parado para pensar em quanto substituímos CDs, livros, revistas e vários outros formatos de entretenimento pelo smartphone ou um computador. Em contrapartida, cada vez mais novos grupos e artistas dão prosseguimento ao velho hábito de leitura de uma forma convencional e ao mesmo tempo bem underground: a produção de zines (abreviação de fanzines, que são revistas feitas normalmente por fãs que abordam assuntos específicos, como histórias em quadrinhos, ficção científica, poesia, música, feminismo, cinema, jogos eletrônicos).

Com sua origem na cultura punk e alternativa, o formato explodiu nas décadas de 80 e 90. Geralmente, publicações com temas bem específicos, com produção caseira e linguagem informal, os zines se destacam por serem uma via de produção artística livre e, originalmente, sem fins lucrativos, o que permite muito mais espontaneidade ao formato.

As redes sociais e a tecnologia, se antes vistas como vilãs e responsáveis pela “morte do impresso”, hoje são aliadas fortes na sua divulgação e criação. Basta conferir o Instagram do coletivo Clube Lambada, de São Paulo, para se impressionar com a expressividade do trabalho dos artistas Pedro Nekoi, Matheus Sandes e Herbert Loureiro. Além de desenhos, posters, bordados e cerâmicas, o coletivo produz zines com um visual fresco e colorido.

“O Matheus é fotógrafo e utiliza-se tanto do meio digital quanto do analógico, o Herbert faz ilustrações digitais e também desenho à mão livre, e eu sou artista digital e adepto da cultura do zine. Então é por isso que nós nunca tivemos esse mindset de separar o digital do impresso”, conta Pedro.

Ele tem um palpite sobre os motivos pelos quais muitas pessoas não trocam uma leitura convencional pela digital: “Para nós, o trabalho físico tem o apelo do toque, de poder transpor ‘uma beleza’ que ficaria apenas na tela do computador ou no celular. Tem também muito de afeto, principalmente com os trabalhos não reprodutíveis. Além disso, São Paulo tem vivido uma onda de redescobrimento do trabalho impresso. Cada vez mais surgem novas feiras de publicação e de materiais impressos, e isso nos instiga a nos mantermos nesse ambiente que tanto amamos.”

O Lambada foi um dos participantes da última Feira Miolo(s), um evento de arte gráfica que reúne artistas independentes, editoras e coletivos que expõem seus trabalhos para o público interessado. Organizada pela Biblioteca Mário de Andrade e a editora Lote 42, ela preza pela democratização do acesso a publicações independentes, além de gerar uma troca entre produtores e público, já que a maioria dos autores dos zines estão em seus stands vendendo sua arte pessoalmente.

Além da Miolo(s), vários eventos similares aconteceram em todo o Brasil. Alguns exemplos são a Parque Gráfico – Feira de Arte Impressa de Florianópolis, a Feira Fantasma no Rio de Janeiro, a Feira 1,99 de Curitiba, a Publique do Recife, e os eventos Tijuana e Feira Plana, em São Paulo. Parece mesmo que essa moda vai longe!

 

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