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As coisas boas de Phellipe Wanderley


Escrito por Motorola

Dizem que a primeira impressão é a que fica. Talvez a máxima nem sempre seja verdadeira, mas no caso de Phellipe Wanderley foi o que aconteceu. Logo que entramos em seu apartamento, no Bairro de Santa Cecília, em São Paulo, tivemos uma recepção calorosa de seu cachorro, o pug Franz. Phellipe abriu a porta com um sorriso no rosto e uma xícara de café na mão, e se manteve assim até o fim da nossa conversa, que se estendeu por algumas boas horas.

Sabe aquela sensação de estar com alguém que parece que você conhece há anos? Se você é do tipo que adora navegar pelo Instagram, já deve ter-se deparado com alguns de seus trabalhos, que fazem parte do perfil Coisas Boas Acontecem – talvez venha daí a sensação de familiaridade que surgiu assim que trocamos as primeiras palavras com ele.

O projeto, que existe há três anos, surgiu do amor de Phellipe pela caligrafia. Na época, ele começou a criar frases motivacionais e palavras de conforto, escritas à mão, em fundos ilustrados e cheios de cor. Quando se deu conta, viu que suas mensagens estavam espalhadas pelas redes sociais.

Phellipe Wanderley e algumas de suas criações (foto: reprodução/Instagram).

“Tudo o que eu publico são coisas que eu realmente enfrento, coisa que digo pra mim mesmo todos os dias. São palavras que me ajudam a seguir em frente”, ele conta. Foi o perfil no Instagram que lhe deu o reconhecimento para expandir seu trabalho como designer gráfico.

Para atender à demanda de encomendas de suas artes, ele criou o Young Dog, estúdio de design gráfico e programação que cria layouts e tudo o que envolve a criação de sites e blogs. Entre as clientes fiéis da empresa estão as blogueiras Taciele Alcolea, Niina Secrets e Bruna Vieira.

Phellipe nasceu no interior de Alagoas, mas vive na capital paulista há seis anos. Nos últimos dois, ele se mudou para Santa Cecília e redescobriu uma nova São Paulo: “Aqui as pessoas dão bom-dia umas pras outras, e isso é muito estranho quando você vem de outros bairros da cidade.”

@coisasboasacontecem (foto: reprodução/Instagram).

Nessa nova fase da vida, ele passou a viver com menos prazos, mais flexibilidade, e construiu uma nova relação com o tempo. Isso influenciou também seu processo criativo. “Na hora de criar, eu penso sempre em desconstruir as coisas que a vida moderna traz, como a pressão por causa do trabalho. Eu tento combater isso no meu dia a dia e, de alguma forma, isso acaba ajudando outras pessoas.”

Trabalhar com as emoções afloradas ajuda Phellipe a desenvolver frases com as quais as pessoas realmente se identificam. Mas, às vezes, esse lado emocional acaba resultando em bloqueios criativos. Para superá-los, ele sai pelas ruas do Centro e presta atenção em tudo o que acontece ao seu redor, buscando inspiração nos prédios, nos pedestres e nas cores da cidade.

Para o designer, a caligrafia e os processos manuais vieram para aproximar as pessoas. Na publicidade, por exemplo, ele acredita que o lettering possa ajudar a contar histórias de um jeito mais humano, de pessoa para pessoa.

@coisasboasacontecem (foto: reprodução/Instagram).

Phellipe Wanderley trabalha em casa, ao lado do marido, Caio, e do irmão, Rick; e garante que isso não é um problema: “A gente sabe dividir as coisas. E a gente não tem muito horário, e é muito mais legal trabalhar dessa forma”, explica. Na Young Dog, a falta de rotina só tem a contribuir para o fluxo criativo da equipe (que é também família).

Aos 24 anos, o alagoano conquistou o que muitas marcas e artistas passam a vida sem conseguir: uma identidade. Tudo sem tirar o sorriso do rosto, a xícara de café das mãos, e com o misto de doçura e inquietude de quem ainda tem muito o que criar.

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