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Cheerleaders “Made in Brazil”


Escrito por Motorola

Conheça o Bulls, grupo de Porto Alegre que pratica a atividade e luta pelo reconhecimento do esporte no país

Fazia 10 graus em Porto Alegre quando o grupo Bulls Cheerleader se apresentou em frente à prefeitura da cidade. Usando o tradicional uniforme do esporte — top, saia plissada e pompom — as cinco meninas resistiam ao frio e dançavam para o público que ali estava acompanhando o evento.

Criado em 2013, inicialmente para acompanhar o time de futebol americano com o mesmo nome, o Bulls ganhou apoio da Universidade Federal de Porto Alegre em 2015, se tornando assim a primeira equipe de cheerleading da capital gaúcha. A faculdade disponibilizou um espaço totalmente equipado para os treinos do time, que acontecem todos os sábados.

Parte da equipe Bulls Cheerleaders durante apresentação em frente à Prefeitura de Porto Alegre
Parte da equipe Bulls Cheerleaders durante apresentação em frente à Prefeitura de Porto Alegre

O cheerleading surgiu nos Estados Unidos em 1903, mas até 1923 era um esporte exclusivamente masculino. No Brasil, a atividade foi reconhecida oficialmente como esporte apenas em 2008. Por esse motivo, o cheerleading ainda é pouco conhecido no país. “Muitas pessoas não entendem que isso é um esporte. Eles acham que é uma dança, que você só precisa sacudir o pompom. E não é só isso”, diz Hannah Celtan, uma das líderes do Bulls.

Ao contrário do que se vê em filmes e seriados americanos, o cheerleading não é uma atividade glamurosa, muito menos algo individual. “Sempre digo para as meninas que entram no grupo pesquisarem como são os uniformes das cheerleaders. Você vai reparar que não tem nome e nem número. É um grupo, e ele precisa funcionar como um”, afirma Hannah.

Outro fator que Hannah faz questão de apontar é que no Bulls não há espaço para a preocupação com o padrão estético. “‘O pessoal tem muita preocupação com uma estética que muitas vezes é um padrão que nem existe no Brasil. Não pode praticar o esporte porque é alta demais, ou baixa demais, ou acima do peso. Não tem nada a ver, sabe? Sempre oriento a todos que não tentem se enquadrar em um padrão porque eu treino atletas, eu preciso de pessoas saudáveis.”

Da esq. para a dir.: Bruna Polchowicz, Hannah Celtan e Luna Lopes (em pé); Leyla Vargas e Gisele Viedenhelfen (agachadas)
Da esq. para a dir.: Bruna Polchowicz, Hannah Celtan e Luna Lopes (em pé); Leyla Vargas e Gisele Viedenhelfen (agachadas)

O Bulls atualmente é composto por um grupo de 25 atletas, 22 meninas e 3 meninos. “Nós aceitamos meninos sempre, eles que têm uma restrição maior, acham que é coisa de menina”, diz Hannah. Os treinos são focados em alongamento, força e flexibilidade, para que se consiga fazer as acrobacias e saltos. Bruna Polchowicz, preparadora física da equipe, deixa claro que os atletas iniciantes não precisam se preocupar em aprender tudo rápido. “Não dá pra cobrar que a pessoa aprenda algo em um mês que geralmente leva anos. Tem que ter paciência que vai levar tempo”, conta.

A aceitação do cheerleading como um esporte é a maior barreira que existe, e acaba impedindo que o grupo consiga participar inclusive de campeonatos. Mas a dedicação pelo esporte e a união do Bulls acabam sendo maiores que as dificuldades. “A Universidade nos cede o espaço de treinamento que já é ótimo. Mas todo o resto, incluindo transporte e uniforme, sai da gente. Se precisa viajar fazemos rifa, vaquinha, liga pra mãe pedindo ajuda”, revela Hannah.

O amor pelo cheerleading e a vontade de colocar o esporte em outro patamar no Brasil faz com que o Bulls se engaje e continue trabalhando, mesmo sem o apoio necessário para maior visibilidade. A equipe segue aberta e livre para todos os tipos de pessoa, e acreditando que um dia o reconhecimento aconteça. “É um trabalho sério, de grupo, de união. Quanto mais conseguirmos disseminar o esporte, melhor. Quanto mais equipes surgirem, melhor ainda”, completa.

 

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