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Projeto Concha coloca as minas para mostrar o seu som


Escrito por Motorola

Conheça a iniciativa que busca dar visibilidade a artistas femininas e inserir Porto Alegre no circuito musical brasileiro

Desde janeiro deste ano, Porto Alegre ganhou um rolê que celebra a música autoral produzida por mulheres, tanto local quanto nacionalmente. O Projeto Concha, criado pela produtora Alice Castiel, 29 anos, nasceu com o objetivo de colocar a cidade no circuito de música brasileira contemporânea.

Seja como banda de abertura ou como show principal, o projeto posiciona o trabalho das artistas locais no mesmo patamar de nomes como Letrux, Juçara Marçal, Luedji Luna e Xênia França. Todas elas pisam no mesmo palco do bar Agulha, um dos lugares mais quentes da atualidade, com capacidade para 300 pessoas, no bairro São Geraldo.

A baiana Xênia França se apresentou no Concha no final de agosto
A baiana Xênia França se apresentou no Concha no final de agosto

Foi numa visita à SIM (Semana Internacional da Música de São Paulo), em 2017, que Alice entrou em contato com o mundo da música e com uma gama de artistas brasileiras que estavam bombando no Rio e em São Paulo, mas não chegavam aos palcos da capital gaúcha.

Oriunda do meio cinematográfico, uma revisão geral de objetivos a levou para a produção musical e à criação de algo próprio. “A cena musical era os brothers dos brothers. Mas tem muita mulher fazendo coisas muito boas. Quero que as pessoas venham porque é um som legal, que merece ser escutado”, diz. Foi essa curadoria que garantiu a diversidade do público que frequenta o Concha.

Alice conta que “a primeira edição começou com a Vena, uma banda de meninas daqui, e em março estourou de vez, com a Letrux”. Com casa cheia em todas as edições, as atrações trazidas pelo Concha contam com ingresso solidário, que possibilita que qualquer pessoa que leve as doações sugeridas pague meia entrada. “Também quero trazer o papel do produtor que escuta o que a cidade está precisando e o que as pessoas estão querendo”, diz.

Mas conseguir fechar as contas do rolê independente e ao mesmo tempo gerar acesso à cultura ainda é uma incógnita para ela. “Como cruzar esses abismos é algo que eu ainda não encontrei o cálculo correto”, esmiúça.

Com carreira no cinema, Alice Castiel se voltou para a produção musical independente na sua cidade
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Uma das formas de fomentar a produção local foi a convocatória para a criação da banda Enxame, com um grupo de mulheres instrumentistas. “Precisava de uma banda para abrir o show da Pâmela Amaro e falei com a Nina Nicolaiewski se não poderiam formar um grupo”, exemplifica. Atualmente, cantoras de renome nacional já procuraram Alice para se apresentar em PoA pelo Concha.

Para 2019, Alice quer ampliar o projeto com foco na profissionalização musical em Porto Alegre. O plano é realizar uma residência artística para pesquisas autorais e oficinas técnicas para shows, como roadie, iluminação, foto, sonorização, luthieria e produção de palco, todas voltadas para mulheres.

A pedido de Alice, Juçara Marçal voltou a tocar o disco Encarnado
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Atrações trazem públicos de diferentes tribos para o Agulha
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