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A arte através de azulejos no Rio de Janeiro


Escrito por Motorola

Como o coletivo MUDA tem transformado a cara da cidade com painéis cerâmicos

Se você já passou por alguns lugares do Rio de Janeiro — além da escadaria do Selarón — e viu azulejos formando um painel cheio de cores é porque, provavelmente, o coletivo MUDA esteve ali. Desde 2010, os artistas Diego Uribbe, Bruna Vieira, Duke Capellão, João Tolentino e Rodrigo Kalache usam a cerâmica como suporte para a arte nas ruas da cidade.

A escolha do nome do coletivo tem a ver com a ideia de trazer mudanças constantes às paisagens urbanas. “O MUDA refere-se à planta jovem, com todo seu potencial de desenvolvimento. Refere-se também à MUDA de pele dos animais, mas principalmente, vem de mudança, que representa tanto a transformação do espaço, como o nosso processo de trabalho”, afirma Bruna.

Painel Leblon. Todos os direitos reservados.
Painel Leblon. Todos os direitos reservados.

O azulejo não se popularizou no Brasil por acaso. Portugal, o principal colonizador do nosso país, teve a placa cerâmica como um dos principais materiais usados para expressões artísticas durante séculos.

O coletivo até usa esse valor histórico como influência. “O azulejo — branco, limpo, polido — contrasta com os espaços esquecidos da cidade. Fora a carga histórica muito forte e o resgate da nossa memória afetiva. Ele também é um material barato, fácil de encontrar, leve para carregar e recebe bem a tinta spray”, completa Bruna.

Cores e formas

Quando falamos sobre arte de rua é comum pensarmos em grafite. Porém, os azulejos do MUDA vêm colorindo e trazendo novas formas para a cidade maravilhosa. “Os painéis se espalham como peles da cidade, ativando a percepção dos transeuntes e fazendo com novas relações com a paisagem da cidade sejam percebidas. É como se fosse a pele fina, a casca grossa”.

Painel Aterro do Flamengo. Todos os direitos reservados.
Painel Aterro do Flamengo. Todos os direitos reservados.

Trazendo ordem em meio ao caos, o MUDA costuma fazer as instalações em locais abandonados. O que importa é deixar a mente fluir. “Ora desenhamos uma composição e escolhemos cuidadosamente um local para ela, adaptando-se às necessidades do espaço, ora escolhemos o local e pintamos especialmente para lá. Escolhemos espaços esquecidos, degradados ou invisíveis”, completa.

A vida de cada um dos artistas no Rio de Janeiro também tem uma grande influência para a montagem das obras. “As relações urbanas que experimentamos e imprimimos em nossos trabalhos são as vividas aqui e as particularidades geográficas interferem muito nos locais escolhidos para as intervenções”. Por exemplo, ao passar pelo Botafogo, você poderá ver o painel que eles fizerem embaixo de um dos viadutos.

Painel em Botafogo. Todos os direitos reservados.
Painel em Botafogo. Todos os direitos reservados.

A tecnologia para se fazer arte

O smartphone acaba sendo uma mão na roda durante o processo criativo. No MUDA, o uso do aparelho auxilia, principalmente, na hora da visualização do painel pronto. “Sempre que fazemos nossos painéis na rua levamos o desenho no smartphone para ir conferindo durante a instalação. Além de usarmos também a câmera do celular para registro do processo”.

Onde encontrar

Os trabalhos feitos pelo coletivo MUDA não estão apenas no Rio de Janeiro, mas também em outros estados como São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Ceará. Além disso, as obras ultrapassaram as barreiras nacionais e chegaram também em países como Portugal, Alemanha e Taiwan.

Se você já viu algum painel do coletivo pela cidade, tire uma foto com o seu Motorola usando as hashtags #hellorio e #hellocidades. Vale a pena marcar e seguir também o perfil @coletivomuda no Instagram.

 

* foto da capa tirada no painel localizado na Rua Nélson Mandela, bairro do Botafogo, Rio de Janeiro.

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