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As novidades do SPFW N41


Escrito por Motorola

A41º edição da São Paulo Fashion Week trouxe diversas mudanças à tradicional semana de desfiles da capital, saiba quais.

A São Paulo Fashion Week chegou à sua 41ª edição repleta de novidades. A semana de desfiles, que começou no dia 25 e terminou na sexta, dia 29, marca uma guinada para um novo formato. A partir desta edição, a SPFW não terá mais uma divisão por estações e, no próximo ano, os desfiles passarão a acontecer em fevereiro e julho, como ocorria há três anos. Não mais em abril, quando eram apresentadas as coleções de primavera/verão e, em novembro, de outono/inverno.

Essa mudança vai ao encontro de uma discussão recorrente hoje no universo da moda: adotar ou não o modelo “see now, buy now” (veja agora, compre agora), que antecipa a venda das roupas apresentadas nas passarelas. Algumas grifes internacionais já aderiram ao movimento – caso da inglesa Burberry, que decidiu unir as coleções feminina e masculina em um desfile semestral, disponibilizando os produtos para venda ao final do evento. Aqui, no Brasil, o modelo também ganha fôlego com esse novo formato, já que promete alavancar as vendas das marcas que se apresentam pela SPFW. A ideia é que as roupas ainda estejam frescas no imaginário dos consumidores, sem que eles percam o interesse pelas peças, até elas chegarem às araras das lojas – o que costumava levar até seis meses para acontecer.

A dúvida agora é a de quais estilistas vão conseguir se adaptar à nova formula, que exige uma mão de obra mais ágil e um investimento maior na produção. Para a Riachuelo, o “see now, buy now” caiu como uma luva. A fast-fashion apresentou no evento a coleção assinada pelo estilista Karl Lagerfeld, diretor criativo da Chanel e da Fendi. Minutos depois do desfile, a linha já estava à venda ali mesmo, na Bienal do Ibirapuera, levando convidados e a imprensa à loucura.

Coleção Karl Lagerfeld para a Riachuelo | Foto: Portal FFW

Outra novidade da SPFW N41 foi a presença de sete novas marcas – Amabilis, A.Brand, Amir Slama (que já havia desfilado à frente da Rosa Chá, mas retornou nesta edição com sua marca própria), Cotton Project, Murilo Lomas, Vix e À La Garçonne, antiquário de Fábio Souza que voltou a investir em roupas neste ano, com uma coleção assinada por Alexandre Herchcovitch.

Logo no primeiro dia de desfiles, o estilista Ronaldo Fraga emocionou com a coleção intitulada “Re-existência”, uma homenagem à trajetória de refugiados ao redor do mundo e um manifesto contra a intolerância em relação às diferenças. Para desfilar as roupas cheias de história, Ronaldo convidou cinco refugiados que vivem no Brasil: a congolesa Fanny-Mudingayl, os sírios Nour Koeder e Nawras Alhaibi, o senegalês Alassane-Diaw e o palestino Leon Dia.

“As roupas são um meio de comunicar toda essa mensagem, da mesma maneira que simbolizam a única herança que muitas das pessoas que deixaram seus países carregam, embarcando em viagens às vezes levando apenas a roupa do corpo”, definiu o estilista em entrevista ao Portal FFW, provando que moda também pode ser sinônimo de resistência.

​Os refugiados no desfile de Ronaldo Fraga | Fotos: Portal FFW

A interatividade também foi destaque da edição N41, presente em alguns dos estandes e desfiles, como o de Lino Villaventura, que deixou o formato tradicional de lado e reuniu os convidados para acompanhar uma sessão de fotos em tempo real da nova coleção.

Com estilistas de identidades tão diferentes, ainda mais sem o peso de seguir uma estação só, fica difícil apontar tendências para a próxima temporada. Especialmente em uma semana como essa, em que as marcas se voltaram muito para as próprias trajetórias na hora de criar. Mas, em um panorama geral, o elemento comum nas passarelas (e fora delas também) foi o universo gender bender, que desafia os estereótipos de cada gênero e quer romper as barreiras entre feminino e masculino. Na moda, isso chega por meio de modelagens neutras, homens de saia e mulheres desfilando coleções rotuladas como masculinas, por exemplo.

Na passarela da UMA por Raquel Davidowicz, essa tendência prevaleceu: a estilista apostou em formas amplas, casting misto na passarela e a mesma maquiagem para homens e mulheres. A estreante Cotton Project, mesmo se definindo como uma marca masculina, também flertou com o universo gender bender, apresentando algumas modelagens para ambos os sexos. Prova disso é que as jaquetas, um dos pontos fortes da marca paulistana, são queridinhas das clientes mulheres.

UMA por Raquel Davidowicz | Foto: Portal FFW

Ainda que a discussão de gênero esteja só começando, são eventos de grande alcance como esse que podem provocar novos debates! \o/ Por aqui, já estamos ansiosos para a próxima edição – quais serão as próximas novidades?

Se você esteve na SPFW, compartilhe suas fotos com a gente pelo e-mail [email protected] ou pela hashtag #motofoto! Vamos adorar conferir sua cobertura. 😉

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