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Danças urbanas dividem espaço na cena recifense


Escrito por Motorola

Além das crews de break, grupos de popping, locking, vogue e stilleto conquistaram muitos adeptos e movimentam o cenário artístico da capital

Distrito do Bronx, anos 1970. Foi este o cenário que serviu como berço para o surgimento da cultura hip hop, uma combinação de breaking, DJ, MC e grafite, numa das regiões de Nova Iorque que mais sofria com a violência na época.

Passados mais de 40 anos desde sua criação, a cultura hip hop se espalhou pelo mundo inteiro. No Recife, um dos elementos centrais do movimento, o breakdance, apareceu em meados da década de 1980, popularizado por filmes como Beat Street (1984) e Breakin (1984).

A Recife City Breakers é uma das mais antigas crews do Recife, com formação inicial em 1984
A Recife City Breakers é uma das mais antigas crews do Recife, com formação inicial em 1984

Primeiros passos

Sergio Ricardo, 44, conhecido como Sociólogo da Favela, é membro da Associação Metropolitana de Hip Hop em Pernambuco e começou a dançar ainda na adolescência, na década de 1990, acompanhando o crescimento do movimento na cidade.

Hoje, longe da dança em si, ele considera o break um instrumento de transformação social. Com o projeto Dança de Rua – Arte, Cidadania e Cultura de Paz, ele ministra workshops, palestras e oficinas em escolas públicas e ONGs.

Membros da RCB, grupo de breakdance de Recife
Membros da RCB, grupo de breakdance de Recife

Também engajado em projetos sociais, o b-boy Jackson, 44, enxerga na dança um fundo social. Numa iniciativa em parceria com a Ipojuca Crew, ele ministra aulas de break em projetos sociais e escolas da prefeitura do município, e tenta agregar o rap, DJ e grafite nos encontros. Jackson também é membro da Recife City Breakers, mais conhecida como RCB, uma das mais antigas crews da cidade. Ensaiando aos domingos, eles buscam participar de apresentações em eventos e festivais de dança dentro e fora do Estado.

Membro da Recife City Breakers, b-boy Jackson também está envolvido com projetos sociais e ministra aulas e oficinas de break em escolas e ONGsMembro da Recife City Breakers, b-boy Jackson também está envolvido com projetos sociais e ministra aulas e oficinas de break em escolas e ONGs
Membro da Recife City Breakers, b-boy Jackson também está envolvido com projetos sociais e ministra aulas e oficinas de break em escolas e ONGs

Novas cenas

De lá para cá, o cenário amadureceu. Além da popularização do break e o surgimento de várias crews, apareceram outras danças urbanas, como o popping*, locking*, waacking*, stilleto* e o voguing*, que foi tema do Festival Vogue Fever: Recife, um desdobramento do BH Vogue Fever.

Edson Vogue, como é conhecido na cena de dança, foi um dos convidados do evento e participou ministrando uma aula de frevogue, nome da pesquisa que desenvolve entre as interfaces do frevo e do voguing. Além disso, ele também foi jurado da BALL, onde ocorrem as batalhas. “Esses eventos são importante para poder reafirmar lugares de fala, de empoderamento,  de expressão e de experimentos a partir de outras vivências”, afirma.

O dançarino faz parte do grupo Guerreiros do Passo, que atua com aulas e oficinas de frevo há 13 anos na Praça do Hipódromo. O vogue chegou na vida de Edson um pouco depois e há três anos, sempre aos domingos, ele ensaia também na Praça do Hipódromo. Ele conta que a cena, apesar de nova, já tem grupos ativos e as kiki houses, como são conhecidas as houses do vogue.

Rany Hilston também dança vogue, além de afro e dance hall. Ela é integrante do Coletivo RecBeats, que existe desde 2013. “Aqui no Recife, a gente foi o primeiro coletivo de dança urbana a ir além do break e do popping, e explorar o dancehall, waacking e hip hop freestyle, por exemplo”, diz. Ela conta que o primeiro desafio do grupo era apresentar às pessoas esses novos estilos, já que o break já era consolidado na cidade. “A gente se juntou no intuito de dar visibilidade às danças e ensinar às pessoas que tinham interesse em aprender”, explica.

À esq. Edson Vogue, personagem importante da cena de danças urbanas no Recife, que estuda as interfaces entre o frevo e o vogue; à dir. Rany Hilston é integrante do Coletivo RecBeats, grupo que reúne dançarinos de várias danças urbanas, como o popping, wacking, vogue (Fotos: Divulgação)
À esq. Edson Vogue, personagem importante da cena de danças urbanas no Recife, que estuda as interfaces entre o frevo e o vogue; à dir. Rany Hilston é integrante do Coletivo RecBeats, grupo que reúne dançarinos de várias danças urbanas, como o popping, wacking, vogue (Fotos: Divulgação)

Atualmente, ela reconhece o espaço conquistado pelos movimentos urbanos, mas fala da dificuldade em viver como artista e exclusivamente da dança. “No Recife, são poucas pessoas que conseguem fazer isso”, afirma.

*Conheça alguns estilos:

Popping

O popping é um dos estilos de dança funk original, criada na cidade de Fresno, na Califórnia, em 1970, por Sam Solomon, conhecido como Boogaloo Sam. Os movimentos são baseados numa técnica de rapidamente contrair e relaxar o músculo para causar um empurrão no corpo do dançarino, o chamado pop.  

Locking

O locking é um estilo de dança funk e street dance, que hoje é também associado ao hip hop. Baseia-se em movimentos rápidos e distintos de braço e mão combinado com movimentos mais relaxados de quadris e pernas

Waacking

O waacking surgiu com a comunidade gay nos anos 70, na Costa Oeste dos Estados Unidos, sobretudo em Los Angeles. É um estilo de dança vertical, com a interpretação gay do locking fortemente inspirado em divas do cinema da época. Os movimentos são complexos e altamente dinâmicos, com destaque pros braços e mãos que se assemelham a implantação de Locking no pulso.

Vogue

O vogue foi criado por negros e latinos da comunidade LGBT de Nova York nos anos 1980, com movimentos corporais que imitam poses e passos das modelos nas passarelas. O nome foi inspirado na renomada publicação de moda.

Stiletto

O stilleto foi criado por Dana Foglia, professora na Broadway Dance Center. O estilo se propagou pelo charmoso detalhe de unir a dança urbana com o salto alto, que há anos já era utilizado em classes de Jazz. Algumas artistas são referência do estilo, como Beyoncé e Pussycat Dolls.

Onde encontrar:

Aulas de vogue, com Edson Vogue. Todo domingo, às 14h, na Praça do Hipódromo – Hipódromo.

Aulas de hip hop e danças urbanas no Carvalho Studio de Dança, R. da Aurora, 371, 1º andar – Boa Vista.

Aulas de stiletto no Atelier de Dança Jacqueline Colares, R. Alvares Cabral, 280 – Bairro do Recife.

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