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Documentando o mundo


Escrito por Motorola

Confira a nossa entrevista com Érico Hiller, fotôgrafo que viaja clicando o mundo.

Érico Hiller é um cidadão do mundo. Trabalhando como fotógrafo há quase 15 anos, ele tem o passaporte carimbado em mais de 50 países, e retrata a temática humanitária em alguns dos lugares mais remotos e inusitados do planeta.

Em sua carreira, Érico acumula trabalhos publicados em revistas como a National Geographic Brasil e a Rolling Stone, além de três livros publicados. Ele também é um dos jurados do festival Flamob, do qual já falamos por aqui. Mas, mesmo com uma trajetória tão rica de experiências, o fotógrafo se arrepende de não ter começado antes dos 20 e poucos anos.

Érico Hiller em Varanasi, Índia

“Sempre tive uma relação com imagem, mas a fotografia foi ganhando força aos poucos. Quando eu saía pra fotografar nos fins de semana, aquilo consumia muito a minha energia. A paixão cresceu tanto que eu larguei minha antiga profissão como um executivo na área de TI e me tornei fotógrafo em tempo integral.” Foi o que ele nos contou logo no início da nossa conversa, que começou despretensiosa no café Elevado, em São Paulo, e seguiu para a Galeria Leica, onde está em cartaz a exposição “Diários de Viagem”, sobre os principais momentos da carreira do fotógrafo.

Para Érico, não basta fotografar por fotografar. O assunto retratado deve ser interessante para o fotógrafo, porque é aí que a verdadeira fotografia acontece. Foi assim que ele chegou ao lado documental da profissão. Quando parou para pensar no que realmente gostava, percebeu que eram os temas humanitários os que mais lhe despertavam a atenção – “assuntos que não estavam necessariamente perto de casa”, como ele mesmo define.

A partir daí, o fotógrafo partiu para o mundo em busca de boas histórias. Em 2008, passou pela China, Argentina, Brasil, México, Índia e Rússia para o projeto “Emergentes”, retratando as tensões sociais e ambientais desses países. Em 2012, criou o projeto “Ameaçados”, resultado de uma pesquisa sobre os paraísos ameaçados ao redor do globo, que rendeu viagens pelo Ártico, Etiópia, Mata Atlântica, monte Kilimanjaro e Maldivas. Em suas fotografias, Érico nos mostra como as transformações ambientais afetam os costumes, as habitações e o modo de vida das pessoas.

Registro na Groenlândia (foto: Érico Hiller)

“A viagem é algo intrínseco à fotografia, porque você tem que estar o mais próximo possível da sua história. Isso me levou a muitos lugares diferentes do planeta.” Da Groenlândia, onde fotografou as consequências do aquecimento global, ao nordeste da Índia, onde registrou a crise mundial dos rinocerontes, a busca de Érico pela boa foto não tem fim. Ela vive em constante transformação, acompanhando o fotógrafo em cada uma de suas andanças pelos cantos mais escondidos do mundo.

Nessas horas, fotografar com o celular pode facilitar – e muito – o processo. “Especialmente se o fotógrafo quer agilidade. O aparelho permite disparar quantas vezes forem necessárias, e isso é ótimo para os registros do dia a dia”, explica Érico. A mobgrafia, ou fotografia mobile, tem tudo a ver com a forma de vida nas grandes cidades, que é mais dinâmica, mais rápida. Segundo ele, isso cria uma linguagem própria na maneira de retratar as cenas do cotidiano.

Mas, afinal, o que faz uma boa foto? Para Érico, não são os recursos técnicos. O impacto que a fotografia gera à primeira vista tem uma força muito maior. O assunto fotografado, um enquadramento cuidadoso e uma luz forte, que esteja visível na imagem, também são pontos importantes para uma imagem marcante. “A fotografia é uma experiência humana, o resultado da interação do fotógrafo com seu equipamento e o mundo. Isso diz muito sobre nós mesmos. Para mim, tudo se resume a como interpretamos o mundo ao nosso redor”, ele conclui – e a gente assina embaixo.

Aula de geografia na Tanzânia (foto: Érico Hiller)

Se você se interessou pelo trabalho de Érico, pode conferir a exposição “Diários de Viagem” na Leica Gallery São Paulo. A mostra fica em cartaz até 31 de julho, de terça a sexta, das 11h às 19h, e aos sábados, das 11h às 16h, e tem entrada gratuita. Você também pode encontrar o livro mais recente do fotógrafo, “A Jornada do Rinoceronte”, aqui!

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