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Por mais mulheres no cinema


Escrito por Motorola

Reflexões sobre a necessidade de uma maior representatividade das mulheres no universo audiovisual.

Você sabe quantas mulheres foram indicadas ao Oscar de Melhor Diretor deste ano? E quantos dos indicados à categoria de Melhor Filme foram protagonizados por uma mulher? A resposta é zero. Não é de hoje que as minorias políticas, como as mulheres, os negros e os latinos, são deixadas de lado em premiações importantes do cinema, do César ao Globo de Ouro.

No caso do Oscar, isso é um reflexo da própria composição da academia, responsável pela escolha dos indicados e vencedores. Deste grupo, 94% são brancos, 2% são negros, 2% são latinos e 77% são homens. A média de idade na instituição é de 63 anos. E isso afeta também os tipos de histórias que são contadas nas telonas.

Só em 2016, a premiação não considerou uma série de bons filmes que tinham mulheres como personagens principais. É o caso de “As Sufragistas” e de “Carol”, que, embora indicado, não entrou nas categorias de Melhor Filme e Melhor Diretor. Quando consideramos o fator diversidade racial, a situação fica ainda mais grave.

A primeira mulher negra a levar o prêmio de Melhor Atriz foi Halle Berry, pelo filme “A Última Ceia”. Isso aconteceu em 2002, 73 anos depois da criação do Oscar! Para que uma mulher fosse reconhecida como Melhor Diretora, o tempo foi ainda maior: só em 2010, Kathryn Bigelow venceu por “Guerra ao Terror”.

Halle Berry, primeira mulher negra a vencer o Oscar de Melhor Atriz (foto: reprodução).

Na tentativa de reverter esse panorama, a academia prometeu algumas mudanças para o próximo ano: as cédulas com os indicados serão preenchidas apenas por membros ativos, que ainda estejam realizando trabalhos. Assim, a indústria descartaria os cineastas aposentados e os membros mais antigos, agregando mais mulheres, negros e latinos em sua composição.

Anna Muylaert, cineasta brasileira, foi uma das convidadas a integrar a associação. “Nós encorajamos a comunidade criativa a abrir suas portas e criar oportunidades para qualquer pessoa interessada em trabalhar nesta indústria incrível”, disse a presidente da academia Cheryl Boone Isaacs. Anna, que dirigiu “Que horas ela volta?” e “Mãe só há uma”, está entre os 283 novos membros da academia, que inclui também o brasileiro Alê Brito, diretor de “O menino e o mundo”.

“Que horas ela volta?”, filme de Anna Muylaert (foto: reprodução).

“Que horas ela volta?”, aliás, é um dos filmes que passam com folga no Teste de Bechdel, que avalia a presença feminina em filmes, séries e livros. Para que a produção cultural passe no teste, a resposta precisa ser “sim” para as seguintes perguntas:

1. Existem duas ou mais mulheres com nomes?

2. Elas conversam entre si?

3. Elas conversam entre si sobre algo que não seja um homem?

Parece simples, mas são muitos os filmes que retratam as personagens femininas como frágeis, superficiais, sexualizadas e dependentes da figura masculina. É uma fórmula que sempre existiu, mas que tem sido cada vez mais questionada – ainda bem!

A questão da representatividade não é só importante para mostrar pontos de vista de pessoas que têm pouco espaço na sociedade, mas também para estimular mais mulheres a criarem suas próprias histórias. Encontrar personagens com quem nos identificamos é importante, principalmente se for alguém forte, independente e com uma personalidade interessante, mas que também tenha falhas, se emocione e cometa erros – afinal, é isso o que as torna humanas e passíveis de identificação.

Viola Davis, primeira mulher negra a levar o Emmy de Melhor Atriz em um drama, disse ao receber o prêmio: “A única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade. Você não pode ganhar um prêmio por papéis que não existem.”

“Histórias Cruzadas”, que conta com Viola no elenco; “Persépolis”; “Mad Max: Estrada da Fúria”; “À Prova de Morte” e a animação “Frozen” são alguns dos filmes aprovados pelo Teste de Bechdel que indicamos – aqui você pode conferir a lista completa. Tem mais sugestões? Compartilhe-as com a gente nos comentários ou no e-mail [email protected]

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