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Todas podem Mixar


Escrito por Motorola

Conheça o projeto TPM de Miria Alves, que ensina técnicas de discotecagem a mulheres

Miria Alves atua como DJ de hip hop há nove anos e é uma grande conhecida das pistas paulistanas. Nascida e criada no Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo, ela sempre teve o desejo de um dia passar para frente todo o conhecimento adquirido como profissional da música. Em fevereiro de 2017, Miria conseguiu tornar seu sonho realidade, e o Projeto TPM (Todas Podem Mixar) teve sua primeira edição, no espaço Disjuntor.

O TPM consiste em oficinas para ensinar técnicas de mixagens para mulheres. A ideia de criar um curso exclusivamente para elas surgiu quando Miria deu aulas de discotecagem em 2014, no Centro Cultural Itaim Paulista. “Mesmo com muitas meninas me perguntando sobre as aulas, elas não apareciam e eu não entendia o por quê”, diz. Durante os três meses que ensinou no local, Miria teve apenas duas alunas mulheres.

Após a experiência, Miria decidiu usar suas redes sociais para perguntar às suas seguidoras sobre criar uma oficina apenas para mulheres. “Choveu comentários positivos e foi assim que decidi levar pra frente um curso só para as minas. E achar um nome bem clichê mesmo”, brinca sobre a escolha da sigla TPM. “Vou ressignificar esse nome“, completa.

 

Foto:Divulgação

Miria diz que não tinha ideia de como seria essa empreitada. “Quando abri as inscrições, em janeiro de 2017, elas esgotaram em uma semana. Aí eu abri para a segunda edição e elas também se esgotaram ainda antes do primeiro encontro”. A DJ conta que não tinha uma equipe formada quando iniciou o projeto. “Foi legal porque eu não tinha a menor noção do que ia acontecer, eu não tinha equipe. As pessoas foram surgindo. Hoje somos em cinco”.

A oficina

O projeto TPM consiste em uma oficina, geralmente de seis horas e para dez meninas, na qual Miria ensina às meninas a técnica de mixagem. “Eu passo a didática de como elas conseguem fazer o básico que todo DJ tem que saber fazer, que é mixar”. A aula é dividida em duas partes, teórica e prática. “Tem meninas que chegam e nunca colocaram a mão em um disco, ou tiveram dificuldades em aprender a teoria”, conta.

Para quem ainda não sabe a importância da técnica, Miria explica. “Quando você está curtindo uma festa na noite, o DJ faz uma sequência de músicas, e ele tem que fazer isso de uma forma muito harmônica. As vezes você fica duas horas dançando na pista e nem percebe, porque o set do DJ flui. E para isso existe uma técnica, que é a da mixagem”, completa.

Miria e suas alunas em uma das edições do Projeto TPM (foto: divulgação)
Miria e suas alunas em uma das edições do Projeto TPM (foto: V. Monteiro/divulgação)

Miria acredita que o sucesso das oficinas se deve ao tipo de linguagem e atenção que ela dá para as meninas. “Eu falo para elas que eu não estou ensinando nada novo. Eu estou ensinando uma coisa que qualquer lugar que elas forem é o que vão ensinar. A diferença eu acho que é a linguagem, a intimidade que a gente cria”.

O contato com as alunas não acaba ao final das oficinas. Miria tem grupos de Whatsapp com cada turma, e também constrói playlists delas no Deezer, aplicativo de streaming de música. “Me coloco à disposição das meninas e uso os grupos para avisar de eventos. Toda a divulgação do meu trabalho é feita via redes sociais“.

Em 2018, o projeto TPM realizou uma edição no Sesc Carmo, e se prepara para mais duas edições no interior de São Paulo. “Fiz as primeiras edições na raça, poucas delas com patrocínio. Este ano estamos em busca desse apoio”.

DJ Miria

A vontade de ensinar não surgiu do nada. Seu primeiro contato com as pick-ups veio justamente frequentando oficinas da prefeitura em 2008, quando ainda era adolescente. Alguns anos mais tarde, Miria foi trabalhar em uma escola de DJs, local onde pegou a base do ensino. “Foi lá que tive contato com outros DJs. Minha mentora foi a Lisa Bueno, umas das primeiras mulheres a ter escola no Brasil e a participar de campeonatos”.

Em 2011, Miria formou seu primeiro grupo de rap, o D’Quebrada, no qual discotecava para três MCs. Após um ano e meio, a DJ deixou o grupo e seguiu com sua carreira na noite, mas nunca desistiu da ideia de ensinar. “Muito do que eu aprendi ninguém me contou. E aí, quando ninguém te conta o caminho das pedras é mais difícil mesmo sabe, você chora mais”.

Miria Alves

Miria não apenas passa a técnica de mixagem em suas oficinas, mas também divide dicas sobre a caminhada profissional.  “Ninguém te conta quanto custa um equipamento, que a agulha é cara, que você vai abrir mão de sua família para estar na noite. É uma coisa que você vai viver e exige muita pesquisa. Trabalhar com música não é só festa, você tem que estudar muito, tem que se dedicar, abrir mão de várias coisas”, complementa.

A DJ afirma que o projeto TPM vai existir até quando ela sentir que as mulheres precisam dele. “Hoje eu vejo que estou preparando elas para serem boas profissionais de música e fazerem o que elas quiserem. E quem encontrar elas vai estar em boas mãos, porque elas vão levar conteúdo de qualidade, escolher música melhor. Todo mundo ganha!“.

Dica

Miria Alves com seu Motorola

Se você tem interesse em aprender técnicas de mixagem mas ainda não tem certeza se quer investir em um curso ou oficina, Miria indica o “edjing Mix“, um aplicativo que utiliza a biblioteca do “Deezer“, plataforma de streaming de música, e transforma seu smartphone em uma aparelhagem completa de discotecagem. Acesse o Google Play Store e baixe o app grátis.

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