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A arte do conforto de Samuel d’Saboia


Escrito por Motorola

Artista recifense utiliza a pintura e a internet como ferramentas de construção de realidades possíveis

“É muito mais sobre pra quem eu quero falar do que sobre o que eu quero falar”. Foi com essa frase que Samuel d’Saboia, mais conhecido como Sarmurr, começou o bate-papo com o Hello Moto. Com apenas 20 anos, o artista sabe muito bem seu local de fala e o utiliza como forma de amplificar a ideia de que é possível fazer e viver de arte.

Em seus diálogos políticos e artísticos, ele levanta a bandeira do “afropresentismo”, termo que cunhou para expressar a vida do artista negro em ascensão no agora. “O afrofuturismo fala sobre a vida do negro vivida em ascensão no futuro, mas para mim é muito importante fazer essa realidade possível agora, para que eu possa pintar e ganhar dinheiro no presente, e até pensar no futuro, mas com possibilidades no agora”, explica.

Sarmurr mostrando uma de suas obras. Vídeo feito com o recurso time-lapse do Moto G6.

A internet, em especial o Instagram, funciona como principal meio de junção entre sua pintura e a construção de uma identidade como artista. De maneira estratégica, ele utiliza seu perfil na rede (@sarmurr) para se comunicar com outros artistas ao redor do mundo, buscar referências e compartilhar seus processos. Essa quebra de barreiras geográficas possibilitou com que seu nome fosse citado em algumas das principais publicações de arte da atualidade e também a sua entrada em circuitos de galerias fora do Brasil.

Em minutos, Sarmurr criou um desenho que ocupou uma parede inteira. Vídeo feito com o recurso time-lapse do Moto G6

O domínio sobre suas próprias narrativas também fez com que ele entendesse a arte como um espaço de apaziguamento, apesar das dificuldades e preconceitos que enfrenta diariamente. “Eu não quero destruir esses sentimentos de raiva, mas quero abordá-los de outras formas. Meu trabalho fala sobre equiparação, sobre transformar realidades sem usar desses arquétipos de exclusão, de guerra, porque isso já destrói muito. Sempre vi a arte como um ambiente de conforto, e não de confronto”.

Sem fazer muitos planos para o futuro, Sarmurr termina a entrevista falando de seu desejo de se envolver cada vez mais com o mundo da moda. “As portas estão se abrindo de uma maneira muito assustadora. Com 19 anos eu estava lançando coleção no SPFW e ninguém nunca fez isso no mundo. Era uma coisa que pra mim era um sonho, e ter isso assim tão perto, tão palpável, me fez achar que eu posso fazer qualquer coisa. Eu realmente não preciso ter medo algum”, completa.

Veja mais da conversa com Sarmurr e acompanhe um pouco de seu processo criativo no vídeo:

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