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Preto no Preto: representatividade no audiovisual


Escrito por Motorola

Conversamos com o coletivo que utiliza a arte para levantar reflexões sobre a realidade das pessoas negras

Formado por 14 jovens que se conheceram através do Instituto Criar, o coletivo PretonoPreto, que participou do encerramento do Hello Cinema,  é um grupo audiovisual com poucos anos de vida, mas que já impressiona pela potência de seu trabalho.

Focados em abordar questões que dizem respeito às pessoas negras, eles se uniram a partir de um projeto de TCC de uma das integrantes, a Mel Oyá, que se tornou um documentário sobre a saúde mental da população negra chamado “Os deuses queriam chorar por amor”.

Não se limitando apenas às produções cinematográficas, o coletivo também organiza eventos, como o Cine Criar na Quebrada, que reuniu intervenções poéticas, show, feira de artesanato e uma mostra de curtas no Centro Cultural da Juventude, na Zona Norte de São Paulo.    

O coletivo funciona também como uma rede de fortalecimento material e subjetivo de artistas negros: “Eu entrei no coletivo quando ele já estava formado. Eu estava num processo de me conhecer novamente como pessoa e via o coletivo PretonoPreto como uma referência muito forte para mim”, conta Luiza.

“Acho que o que mais me motivou a entrar no coletivo, além das pessoas, é a demanda do mercado, como é aí fora e como é diferente para a gente que está começando no audiovisual e vem de uma zona periférica”, relata Olanias, que viu no coletivo uma oportunidade de ter mais independência e poder assinar projetos que o contemplasse.

“Basicamente a gente é dono das nossas próprias narrativas, a gente conta o que a gente quer, a gente fala o que a gente vive, a gente faz o que a gente faz baseado no que a gente vive e viveu”, conta Edvaldo.

Anderson completa: “O coletivo agrega projetos de artistas independentes que também não têm um lugar de fala dentro de um audiovisual elitista, então nós tentamos fazer com que esses artistas tenham visibilidade e possam também estar no mercado de uma forma diferente, de uma forma não padronizada. Aquela coisa de cinema hollywoodiano, não é sobre isso que a gente quer falar, é sobre a nossa realidade, é sobre os nosso anseios”.

Na batalha por tornar a narrativa dominante do audiovisual mais representativa, o coletivo PretonoPreto busca uma outra forma de se fazer cinema, cultivando laços verdadeiros e criando redes de apoios entre pessoas negras, sempre lembrando que não são os pioneiros nessa jornada, mas que estão aí para se somar a quem já está há muitos anos nessa luta e acolher aqueles que estão chegando agora.

Conheça também o Gleba do Pêssego, coletivo audiovisual que agita as quebradas de São Paulo.

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